Webconferência debate “Diagnóstico Diferencial da Hanseníase: Desafios Clínicos na APS”

Webconferência debate “Diagnóstico Diferencial da Hanseníase: Desafios Clínicos na APS”

O Telessaúde UFPA realizará a webconferência “Diagnóstico Diferencial da Hanseníase: Desafios Clínicos na Atenção Primária à Saúde” nesta quinta-feira (22).  O tema será ministrado pela dermatologista Carla Pires, que tem mestrado, doutorado e pós-doutorado em doenças tropicais e vai trazer informações atualizadas sobre a hanseníase e dar orientações sobre diagnostico e manejo nas unidades de Atenção Primária à Saúde (APS). O evento será às 17h30, com acesso pelo site telessaude.ufpa.br e é voltado para médicos(as), enfermeiras(os) e profissionais da saúde atuantes na Atenção Primária à Saúde no Estado do Pará.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), a hanseníase segue sendo um desafio de saúde pública no Brasil. O Boletim Epidemiológico de Hanseníase 2025 revela que, de 2014 a 2023, foram 309.091 casos (80% novos), com a região Norte concentrando alta prevalência: Amazonas e Pará entre os líderes regionais. Na APS, principal porta de entrada do SUS, de acordo com a avaliação do MS, o diagnóstico diferencial tem sido uma problemática importante, pois profissionais confundem lesões como pitiríase versicolor, psoríasee até infecções fúngicas, levando a atrasos de até 70% em testes negativos por baixa sensibilidade da baciloscopia tradicional.

Estudos como o da BJIHS (2025) apontam os seguintes obstáculos: falta de capacitação contínua, rotatividade de equipes, sobrecarga e estigma social, resultando em subnotificação e incapacidades grau 2 em 5-10% dos casos. Na Amazônia, os desafios se acentuam: populações ribeirinhas e indígenas enfrentam barreiras logísticas, com busca ativa de contatos cobrindo apenas 20-30% em alguns estados nortistas, abaixo do parâmetro “bom” (>50%). Segundo detalha o estudo, no município de Breves, na região do Marajó, no Pará, por exemplo, diagnósticos neurais puros – sem lesões cutâneas – são subestimados, confundidos com neuropatias periféricas como diabetes ou traumas.

​Diante desse cenário, o núcleo do Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA), o Telessaúde UFPA, está ofertando essa webconferência, com o objetivo de contribuir para a formação continuada dos profissionais de saúde e, assim, melhorar a qualidade do atendimento dos casos na APS, em especial no Pará e região Norte. Só para se ter uma ideia, uma pesquisa em Cadernos de Saúde Pública (2024) em Arapiraca (AL) espelha o Norte: fatores como baixa suspeita clínica e exames limitados perpetuam a transmissão. No Brasil, 72% dos casos são em pretos/pardos; Norte tem 4-5% em crianças, sinal de transmissão ativa contínua.

​A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada por Mycobacterium leprae, afeta pele e nervos periféricos, transmissível por vias respiratórias de multibacilar não tratado. Sinais cardinais (OMS/MS): lesão cutânea hipo/hipercrômica com perda sensitiva; acometimento neural espessado; baciloscopia positiva.

​As orientações principais do Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) são para se procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ao notar manchas anestésicas, formigamento ou fraqueza em membros. Diagnóstico gratuito no SUS via exame clínico/neurológico; tratamento poliquimioterápico (gratuito, 6-12 meses) cura 100% se precoce, interrompendo transmissão. Exame de contatos domiciliares obrigatório; evite automedicação. Em 2024, OMS relata 9.397 casos globais em crianças, urgindo vigilância ativa.

Sobre a conferencista

Carla Andrea Avelar Pires é dermatologista e hansenóloga, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado em doenças tropicais pela Universidade Federal do Pará (UFPA), é membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), professora adjunta 4 da Universidade Estadual do Pará (UEPA) e da Universidade Federal do Pará (UFPA). É também coordenadora do Ambulatório de Hanseníase da UEPA.